Quando eu me converti, crente não podia fazer greve, porque isso era rebeldia e rebelião. Agora, pode orar por golpe de estado e apoiar aqueles que desejam implantá-lo, mesmo que o golpe envolva a morte do presidente e de um ministro.
Quando eu me converti, crente não andava armado: "o Senhor é quem me guarda, Ele dá ordens aos seus anjos a meu respeito". Agora, deve comprar uma arma se puder e lutar em favor do armamento civil.
Quando eu me converti, crente não podia matar ninguém nem em sonho. Hoje, o "não matarás" inclui um "depende".
Quando eu me converti, "se Deus quiser livrar, Ele livra; se não, é porque 'chegou sua hora', nada acontece sem a Sua permissão", só não se corrompa. Hoje, "Misael", "Ananias" e "Azarias" se curvam diante de estátuas e Mamon, em favor "da vida" (leia-se "vida boa": poder e regalias). Os amigos não mais intercedem, mas livram por meio de caminhos tortuosos. Como deixar de fora o "jeitinho brasileiro"? Busque os seus contatos! Faça as suas ligações!
Quando eu me converti, crente cria que 2 Crônicas 7.14 era para a igreja e que o Senhor, por meio do Evangelho, poderia mudar uma sociedade. Era o Espírito Santo quem convencia da justiça, do pecado e do juízo. Agora, a mudança só pode acontecer por meio da imposição de leis e regras. "Precisamos de um presidente 'cristão'".
Quando eu me converti, deveríamos evangelizar e orar pelos perdidos. Hoje devemos matá-lo, mesmo que "apenas" emocionalmente, por meio de discursos de ódio e da exclusão social.
Quando eu me converti, o Reino de Deus "não era deste mundo". O cristão precisava se preparar para a Eternidade, "estamos aqui só de passagem". Agora precisa fazer parte das "esferas de poder", reinar aqui na Terra, pois "Deus nos criou para reinar!".
Quando eu me converti, os judeus escolheram Barrabás porque esperavam um governo político de Cristo, esperavam que Ele os livrasse dos romanos. Hoje, de tempos em tempos elegem um "messias" que dê o poder para a Igreja, mesmo que indireto.
Quando eu me converti, a grande comissão era: "ide e pregai o Evangelho"; afinal, era a Palavra que tinha o poder transformador. Agora é "ide e vote no Fulano, ele nos livrará do mal".
Quando eu me converti, pecado era pecado e não tinha tamanho. Agora: "quem pecou? Ah, não, foi apenas um deslize, ele não resistiu à tentação". O adúltero é perdoado (mas a mulher adúltera certamente seria apedrejada).
Quando eu me converti, crente não podia falar palavrão nem ter falas agressivas. Agora pode xingar, ofender, gritar, externar os piores preconceitos. Se "não for o jeito dele", é demonstração de força, masculinidade e poder.
Quando eu me converti, mentir era pecado, satanás era o pai da mentira. Agora, depende. "Quem mentiu? Foi para garantir o bem? Manter a ordem? Então, tudo bem".
Quando eu me converti, a mão chifrada era uma saudação maligna. Agora significa "Jesus te ama".
Quando eu me converti...
Quando eu me converti? 1992. Quanta coisa mudou!!
Um certo pastor falou, certa vez, de atualizar a Bíblia. Maior rebuliço no meio evangélico, mas ela já foi mudada dentro das igrejas. Só não mudou no papel. Os que espernearam criaram novas doutrinas e heresias.
Saudades da Igreja de quando me converti. Saudades de quando o "não julgueis" servia para alguma coisa. Hoje, além de julgar, condenam o irmão ao inferno, apenas por se ter uma opinião diferente.
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